Blog

  • Capital

    Capital

    O Marxismo, criminologia radical e realismo de esquerda abordam uma temática interessante, que levanta uma serie de questões, as quais nos coloca a questionar as esferas do crime e o criminoso. De que modo são vistos socialmente, politicamente e economicamente.

    Diante a leitura, fica mais evidente de como o capital acaba por ter um imenso poder na vida de todos nos, de forma automática, é como se o nível socioeconômico viesse por definir aqueles que iram se beneficiar do sistema judicial, e aqueles que terão que sofrer para servir de exemplo de que cometer um ato de desvio é inadmissível socialmente, principalmente se você é pobre e negro.

    É curioso pensar que existem uma serie de crimes e leis na atualidade, o que me faz refletir: o que vem primeiro? O crime ou a lei que diz que tal ato é crime? Acredito que a sociedade vai se transformando e aquilo que irá causar danos a moralidade e a economia irá ser vista como crime. Talvez os dois pontos caminhem juntos, e os meios de comunicação também acabam por vim a contribuir para uma justiça social, porém falha na conduta de como divulga a informação e espalha manchetes sensacionalistas que conseguem contribuir para a ideia de imagem de criminoso.

    Uma questão que chama atenção é quando somos direcionados a refletir qual a imagem que nos temos de um criminoso, geralmente o que vem em mente são homens jovens. Mesmo sendo obvio a existência desta correlação do crime e do gênero masculino, fiquei a me questionar o porquê? Por que existe um predomínio deste público em específico? As mulheres cometem menos crimes ou são menos divulgados? Será que os homens podem ser figuras toxicas só por serem homens? Ou será que tem um fator social que coopera para esta predominância? São muitas perguntas, que não sei se há respostas, até então.

    O fato é, que o crime é considerado crime através da ótica na qual se olha e a quem vamos enxergar. A nossa sociedade ainda enxerga como criminoso aquele mais desfavorecido, o próprio sistema se beneficia daquele que tem mais poder aquisitivo e por isso a imagem de criminoso e o crime é minimizado quando o individuo é socioeconomicamente favorecido. Infelizmente a justiça funciona de modo capitalista.

  • Educação brasileira um fenômeno cultural

    Educação brasileira um fenômeno cultural

    Não é de hoje que a educação brasileira é palco de discussões recorrentes devido ao despreparo institucional que engloba as falhas dos sistemas educacionais no país. Pesquisas nacionais evidenciam o fraco rendimento escolar nas áreas de língua portuguesa, matemática e ciências naturais. Mas o que de fato estaria por trás de tanto insucesso educacional? Diante uma experiência própria de observação em um projeto educacional financiado por verba municipal, foi perceptível averiguar a complexidade que embasa a educação. Por um lado, uma proposta política interessante, porém mal planejada para promover a convicção de que as crianças são o futuro do país. De fato são, porém fracassa metodicamente na prática do ensino, pois a própria instituição e seus educadores não estão preparados ou não acreditam que as mudanças nas melhorias sociais advêm da educação, o que gera total descaso na prática de ensino.

    A literatura nos mostra que todo o alicerce da educação está ligado à cultura e à filosofia por trás de cada sociedade que o fundamenta. Pode-se dizer que estamos diante um fenômeno cultural institucionalizado que se manifesta através da fala e atitudes dos indivíduos. Sejam os alunos, educadores, coordenação ou contexto social: a aprendizagem é vista como insignificante para a vida cotidiana, a escola seria apenas um lugar de desdém e cumprimento de obrigação. Por isso, acredito que as falhas em torno da educação no Brasil são de uma representação cultural, o que dificulta suas melhorias. É preciso muito mais do que verbas e propostas educacionais, é preciso a valorização social de que as melhorias sociais provêm da educação, assim promovendo um mundo mais pacífico e justo para todos.

  • A desigualdade social como uma variável para criminalidade

    A desigualdade social como uma variável para criminalidade

    Nos últimos dias, o Brasil mais uma vez foi destaque nos noticiários internacionais acerca da violência a qual o país e os seus cidadãos vivenciam de forma rotineira e habitual, não sendo nada incomum encontrarmos manchetes no que se refere a criminalidade, desigualdade e violência institucionalizada. Porém, desta vez a violência resultou em 121 mortes em uma favela no Rio de janeiro. Entre elas 4 policiais e 117 criminosos.

    O acontecimento causou um efeito de cisão na população e na política nacional. Uma parte alega que sim, foi de boa índole e a polícia não fez mais que o seu trabalho “grande heróis. Em falas de influencers, jornalistas, popularese os próprios políticos afirmam que “as únicas vítimas eram os policiais, a maior faxina da história. No outro lado, pessoas sensibilizadas pelas mortes de todos os envolvidos e se questionando “até quando?

    Faço-me a mim e a todos os leitores a refletirem de forma crítica: por que isso ocorre? Até quando a nossa política irá aplaudir de pé e dizer que a criminalidade é uma questão de “escolha? O quão forte pode ser a influência política na opinião popular? Qual o nosso papel como cidadão brasileiro? Qual o papel das políticas públicas?

    De fato, as ciências sociológicas e psicológicas nos dão subsídios teóricos para enunciar   que a criminalidade não vem a ser desenvolvida somente por fatores ambientais, pois o fenômeno da criminologia é um campo complexo na qual existem inúmeras variáveis para explicação do crime. Entretanto, é possível afirmar que sim, que o ambiente tem uma enorme influência no comportamento que desvia as normativas e condutas sociais, principalmente quando ocorre a marginalização social.

    O Brasil desde sempre sofre com o fenômeno chamado desigualdade social onde basicamente a sociedade se divide entre: naqueles que tem acessos ao máximo para viver e se desenvolver, e aqueles que tem o mínimo para tentar sobreviver.  Não é incomum encontrarmos sujeitos de nível socioeconômico desfavorecido no mundo do crime.

    Um ponto que chama atenção, é o momento em que a lista de mortos é divulgada, comove que a maioria eram jovens negros e “pardos”. Frente a isso, reflito: isto também nos daria indícios sobre a desigualdade étnico-racial e marginalização desta população no Brasil? Isto não seria mais uma variável a ser vista e indagada pelas políticas públicas de educação e desenvolvimento no país? Pois, ao que parece, a política esta mais preocupada em exacerbar o ódio para a população e ainda ser vista como “competentes” no exercício falho que é a política nacional.

    Por fim, questiono se toda esta ação policial e propagação do ódio irá acabar com a criminalidade e a violência no país? Será que todos os problemas sociais foram resolvidos? Sem dúvida que não. Não é através do ódio e violência que se resolve uma problemática como essa, pelo contrário, quanto mais a violência é exteriorizada, maiores são as chances dela se expandir.

    Acredito que o nosso papel como cidadão brasileiro é lutar pela educação e inclusão das pessoas. É compreender que extinguir a criminalidade em uma sociedade é quase que impossível, e não são os números de mortes que vai estabelecer uma sociedade mais pacífica. À medida que compreendemos e olhamos com sensibilidade a problemática sociocultural atual envolvida, nos colocamos como cidadãos críticos que lutam pelo direito à educação e bem-estar social no país.